sexta-feira, 17 de março de 2017
Há fuga generalizada e legal ao fisco na restauração
São no mínimo 500 milhões de euros de receita que deixa de entrar
nos cofres do Estado. IVA que devia ser entregue pelos restaurantes e cafés e
que simplesmente desaparece todos os anos, fruto da ineficiente legislação. Uma
prática ainda “generalizada” em Portugal, apesar de todos os esforços e
incentivos a que o contribuinte peça fatura.
O mais estranho é que o alerta é dado por quem produz o software
que acaba por permitir essa fuga de forma legal. Apenas porque a legislação tem
falhas.
Pedro Sousa lidera a Zone Soft, uma das principais empresas que
constrói os programas informáticos usados na restauração, e diz que já alertou
a Autoridade Tributária, o Ministério das Finanças e até o provedor de Justiça.
Apesar dos esforços, ainda há muito a fazer para acabar com esta fuga.
O processo é simples. Os programas informáticos cumprem a lei e
são certificados, mas o facto de permitirem que sejam abertas inúmeras listas
de registo de vendas (chamadas de séries) e as bases de dados não serem
encriptadas possibilita que os dados sejam apagados do sistema, sem que o Fisco
perceba o que se passa.
Por exemplo, num determinado estabelecimento pode ser aberta uma
série onde são registadas as vendas a dinheiro, sem que tenha sido emitida
fatura com número de contribuinte. Se houver uma investigação do Fisco está
tudo em ordem. Até porque os fiscais conseguem entrar na base de dados e ter
acesso a toda a informação. Contudo, no final do dia qualquer pessoa que tenha
o mínimo conhecimento informático pode simplesmente apagar aquela série, na
totalidade ou apenas parte da faturação. Essa simplesmente desaparece sem que
alguma vez venha a ser entregue o IVA devido ao Estado e que o consumidor final
pagou. Essa receita fica diretamente no bolso do dono do restaurante ou café.
Pedro Sousa diz que esta prática é generalizada e que muitas vezes
é feita com o conluio de quem vende o software. A possibilidade de ‘apagar’
parte da faturação é usada como argumento de venda ou até exigido pelos
próprios proprietários.
Como estas software houses usam agentes independentes para vender
os seus produtos, estas situações acabam por escapar muitas vezes a quem produz
o software. Mesmo assim há casos em que vários softwares foram apanhados a
permitir esta fuga, como aconteceu em agosto de 2016. Nesta data, o Governo
anulou os certificados de dois programas de faturação do Grupo PIE, responsável
pelas soluções WinRest.
Só que como existem mais de 2600 programas certificados pelo Fisco
em que algumas empresas têm várias dezenas de softwares válidos, podem
facilmente substituir uns pelos outros se forem detetados erros.
Apesar de a fuga ao Fisco continuar a acontecer de forma
generalizada, esta prática é cada vez mais difícil. O crescimento do uso de
meios de pagamentos eletrónicos e o pedido de fatura tem vindo a reduzir a
capacidade de não declarar tudo o que é faturado. Mesmo assim ainda existe
espaço, na opinião de Pedro Sousa, para ir mais longe. O IVA do total da economia
em 2016 rendeu €15,067 mil milhões, o que representou um crescimento de 1,5%
face a 2015. Segundo a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de
Portugal (AHRESP), não há dados para o canal HORECA (hotéis, restaurantes e
cafés).
terça-feira, 2 de agosto de 2016
Funcionários da Direção de Finanças de Faro com vida difícil ...
01-08-2016 - 11:32
No passado dia 29 de julho, o deputado Paulo Sá, eleito pelo Algarve, visitou as instalações da Direção de Finanças de Faro acompanhado por elementos da Direção Distrital de Faro do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, constando que estas instalações não oferecem condições dignas de trabalho, nem de atendimento ao público.
Comunicado do PCP, refere que a Direção de Finanças de Faro está instalada num edifício muito antigo, que, apesar de obras pontuais de beneficiação, se encontra muito degradado. Devido à má conservação do telhado chove em algumas divisões, os tetos e as paredes estão danificados por infiltrações, as manchas de humidade abundam, o cheiro a mofo é intenso em algumas divisões. O estado de degradação dos tetos falsos já provocou a queda dessas estruturas em algumas divisões.
No passado mês de fevereiro, na sequência de uma operação de limpeza do sistema de ar condicionado, foram detetados na sala da secção de justiça tributária, entre o teto falso e o telhado, ninhos de ratos, animais mortos, uma perna de cegonha, excrementos de animais e fios elétricos roídos. O cheiro nauseabundo na sala levou a que os funcionários que ali trabalhavam usassem máscaras cirúrgicas e, num momento posterior, fossem distribuídos por outras salas.
A madeira de muitas portas e das janelas está deteriorada, não vedando adequadamente, e várias divisões não têm luz natural nem ventilação adequada. A instalação elétrica é antiga, há cabos e extensões no chão e nas paredes sem adequada proteção, há uns meses o quadro elétrico ardeu.
A instalação de ar condicionado não é adequada. Em algumas divisões, o posicionamento dos aparelhos é tal que origina intensas correntes de ar frio, levando a que os funcionários tenham pendurado no teto e nas paredes estruturas em papelão, muito criativas, para desviar essas correntes de ar frio.
Acresce, a tudo isto, que o espaço na Direção de Finanças é exíguo, manifestamente insuficiente para os 162 funcionários que aí trabalham. Na esmagadora maioria das salas, o número de funcionários é excessivo, com as secretárias encostadas umas às outras e documentos empilhados por todo o lado. Numa das salas dos inspetores tributários chegam a trabalhar, em simultâneo, 35 pessoas, descreve o mesmo comunicado do PCP, pelo que não há secretárias para todos os inspetores tributários. São ocupadas por quem chega primeiro; quando se esgotam, os inspetores vão trabalhar para um serviço de finanças ou então para casa.
Visto que os computadores portáteis disponibilizados aos inspetores têm o ecrã muito pequeno, a fim de criarem melhores condições de trabalho, vários inspetores compraram, do seu próprio bolso, ecrãs fixos maiores.
Perante este cenário insólito, o Grupo Parlamentar do PCP questionou o Ministro das Finanças sobre a necessidade de dotar a Direção de Finanças de Faro de novas instalações.
Fonte:
Finanças bloqueiam software de faturação do Grupo PIE por fuga ao fisco
A Autoridade Tributária comunicou que revogou a
licença dos programas de faturação “CR Mais” e “WinPlus”, depois de ter
identificado um mecanismo que permitia eliminar as faturas já emitidas.
A identificação do
sistema que permitia a fuga aos impostos foi feita durante ações de controlo,
tendo o Ministério Público comunicado à Autoridade Tributária que "os
programas de faturação “CR Mais” e “WinPlus” (certificados n.º 1422 e 1751) se
encontram dotados de um conjunto de funcionalidades concebidas para permitir ao
utilizador a eliminação dos registos de vendas e prestações de serviços".
Esta
não é a primeira vez que a Autoridade Tributária suspende um certificado de uma
empresa de software de faturação por fuga ao fisco. Já em 2014 a operação Fatura Suspensa visou a
aplicação da iECR por alegadamente
recorrer À utilização de um "botão verde" ou "botão mágico"
que permitiria suspender a venda sempre que o cliente não pede uma fatura com
número de contribuinte, o que se consumava na não declaração dessa mesma venda
às autoridades.
A
Autoridade Tributária já suspendeu os certificados do Grupo PIE relativos aos
programas “CR Mais” e “WinPlus”, que têm uma larga expressão, sendo utilizados
por mais de 10 mil empresas, afirma o organismo.
Estas
empresas têm agora até dia 15 de setembro para mudarem de software de faturação
e "quando aplicável, declarar junto da AT a intenção de regularizar
voluntariamente a sua situação tributária em relação às faturas cuja emissão ou
comunicação tenha sido omitida".
[…]
"A AT está a
efetuar um especial acompanhamento dos contribuintes utilizadores das
mencionadas aplicações produzidas pelo “GrupoPIE Portugal, SA”, bem como das
demais atualmente em investigação, que – caso não regularizem voluntariamente
os impostos relativos à faturação omitida – deverão ser objeto de uma aplicação
rigorosa da lei em vigor.", refere ainda uma nota do Ministério das
Finanças.
Sobre o assunto:
sexta-feira, 29 de julho de 2016
Concursos internos de admissão a Período Experimental - Alfandegas
Categoria: Segundo-Verificador superior, da carreira de técnico superior
aduaneiro.
Vagas: 20.
Habilitações: Licenciatura em Economia, Finanças,
Organização e Gestão de Empresas ou Direito.
Índice remuneratório: 500
Categoria: Verificador auxiliar aduaneiro de 2.ª classe
Vagas: 40
Habilitações: 9.º ano de Escolaridade
Índice remuneratório: 259
sexta-feira, 22 de maio de 2015
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